quinta-feira, 10 de maio de 2012

VAMOS NOS APROXIMAR DA ÉTICA

                Dia desses, diante da ausência de outro professor por motivo de doença, tive de juntar as turmas para que os alunos não fossem prejudicados pela referida falta e não ficassem ociosos. Era uma sexta-feira à noite. Informei a eles que o princípio ético da instituição era o de que eles não deveriam nunca ficar sem aula. Daí veio a surpresa.
                Ouvi exclamações pela expressão utilizada. Causou espanto eu chamar de princípio ético, algo que, para eles, era tão simples, ou até mesmo desnecessário. A ética anda tão rara que, na cabeça deles, só serve para casos mais importantes ou extremos. Parecia que eu ouvia de alguns: “nossa, esse professor está levando isso a sério demais.” Não deveria ser assim.
                Prefiro entender a ética de maneira simples, porém sem diminuir sua importância e essência, como um conjunto de comportamentos corretos, voltados para o bem. E pretendo colocá-la sempre em prática, quero ter proximidade, intimidade com a ética, o que faz com que a preocupação com o ensino seja, de fato para mim e para a instituição para a qual trabalho, um imperativo ético. Mas, como eu disse, a ética anda rara e anda assustando quando ventilada.
                A ética, para alguns daqueles que ainda a seguem, anda reservada, selecionada para ser utilizada em poucas e esporádicas situações. Vemos muitas vezes o triunfo dos comportamentos antiéticos ou aéticos sobre as condutas conforme a ética e isso vem fazendo com que ela própria seja deixada de lado. Parecem ainda querer insistir que os fins justificam os meios, levando-se a abandonar a preocupação ética, objetivando um resultado final satisfatório, normalmente de repercussão apenas individual. Precisamos de mais ética.
                Temos nos servido dela apenas para cobrar um determinado comportamento de alguém, seja do político, do policial, do colega de trabalho etc. Esquecemos de que ela deve partir de nós mesmos, ainda que diante de situações aparentemente simplórias. Já seria um bom começo. Gandhi disse: “seja a mudança que você quer no mundo.”
                Kant, ao identificar o imperativo categórico, sublinhou que todo o comportamento que se tenha deve ser no sentido do bem, agindo sempre como se sua conduta representasse uma lei universal a ser seguida. Se deixamos a ética de lado em nossas condutas, das mais simples às mais importantes, estamos chancelando a conduta contrária a ela.
                O comportamento é tico não deve ser considerado uma virtude e sim uma obrigação. E também não deve ser eventual, raro. Tem de ser comum, cotidiano, normal. Não devemos poupar ética. Não pode causar espanto, tem de ser natural. Não pode ficar distante, tem de nos acompanhar diariamente. Se queremos que as coisas melhorem, talvez seja uma bom caminho.

4 comentários:

  1. Parabéns pelo blog Bernardo, muito bacana fazer a leitura de seus escritos. Detesto aquele tecnicismo exacerbado que alguns autores fazem questão de demonstrar. No mais, aguardo percepções.
    Forte abraço.
    Marcelo Bueno.

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  2. Felipe Monteiro E. Noujaim12 de maio de 2012 16:53

    Bernardo,
    Essa ética conhecemos desde a nossa infância, junto com nossas famílias no nosso querido bairro Bom Pastor, parte dessa excelente percepção é fruto de nossa educação e amizade de anos, que nos dias de hoje ainda não vi na geração de hoje ...
    Mais uma vez parabéns !

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  3. Bernardo,
    Essa é minha primeira visita em seu blog, de muitas é claro,texto interessante, pensei em algumas atitudes pessoais e até na vida(por que não?!). Tenho objetivos, e vários, mas apenas um foco no momento, e acredito que com essa ÉTICA na qual vos fala, as distâncias podem se tornar bem mais curtas.
    Dê uma olhada na última linha, acredito que houve um erro de digitação.
    No mais,
    Obrigado pela dica.
    Deixo aqui um abraço,
    e minha adimiração! Parabéns!
    Att.,Miguel M.
    (vulgo, kobinha)

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  4. Vejo uns e outros por aí, garganteando a palavra "ética" como se o significado da mesma se resumisse a bater no próprio peito bradando em volume máximo “sou ético”, esquecendo que a ética mantém estreita relação com a moralidade. Ética não se resume ao que está escrito em um papel. Ética compreende todo um código de conduta, postura, pensamento e ação. Ética é o que poderíamos fazer, e não fazemos não porque a lei nos impede, mas por respeito a outrem, e a nós mesmos. Mas o problema mesmo é que ética, ao invés de uma questão de convivência, está se tornando, para alguns, uma questão de conveniência. É muito fácil ser ético quando se quer. Difícil é ser ético quando se deve, ou seja, a todo momento.

    SM

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