Mesmo não tendo religião, sempre achei Jesus um indivíduo muito interessante, sobretudo pelo seu lado de grande revolucionário, líder e defensor da justiça e da solidariedade. Mas faltava à biografia desse Jesus que eu admiro um fator: uma mulher. Ter tido ao menos uma mulher na vida faria de Jesus um homem mais completo, no meu modo de ver.
E não é que agora pesquisadores da cultuada Harvard descobriram um papiro, supostamente dos antigos evangelhos, em que se lê que Jesus tinha uma esposa. E mais, que, segundo ele mesmo, ela poderia se tornar sua discípula. Vejam como são as coisas: alguém, em algum momento histórico, decidiu subjugar as mulheres, relegando-as a um absurdo segundo plano, tirando-as até mesmo de Jesus.
Tenho sempre a impressão de que o lado humano de Jesus, que certamente o acompanhou, já que ele viveu, é sempre obscurecido. Parece-me que para as religiões cristãs, Jesus só deve ser retratado como filho de Deus, esquecendo-se de que ele também foi homem. E homem, na maioria dos casos, gosta de mulher.
Líderes são sedutores. É da essência da liderança, até mesmo coopera na sua prática. Como acreditar, portanto, que Jesus, esse líder revolucionário tão grandioso, não se curvaria aos encantos femininos. Em nada atrapalharia sua obra, quem é homem sabe. Aliás, a maioria dos herois bíblicos era casada. E alguns tinham várias mulheres, inclusive. Por que não Jesus, já que foi o maior deles?
Isso nos leva ainda, felizmente, à negação de que o prazer sexual seja associado ao pecado. Pois, se Jesus tinha mesmo uma mulher, e a autenticidade do papiro foi confirmada por pesquisadores de Harvard, destaque-se, ele certamente mantinha com ela relações sexuais. Nada mais natural. Até pra ele, enfim. E não vai aí nenhum desrespeito, ao contrário. Venho só demonstrar um acréscimo de admiração.
A par de todas as teorias conspiratórias, códigos da Vinci e que tais, estamos diante um fato novo, científico, com autenticidade comprovada. Já se disse sobre evangelhos suprimidos. Será que esse é um fragmento daqueles? É certo que alguém atrasou em séculos a vida da mulher, afastando-a do maior símbolo religioso de todos os tempos. Mas agora sabemos que isso não partiu de Jesus, já que ele foi casado. Alguém deturpou a história mais uma vez, o que não surpreende.