O falso moralismo e a bitolada obediência ao politicamente correto ganharam destaque na transmissão olímpica da Rede Globo em Londres que, por não deter os direitos de transmissão para a TV aberta, apostou suas fichas no Sportv, canal a cabo da sua subsidiária Globosat.
A atleta brasileira Ana Cláudia Lemos, ao ser abordada imediatamente após seu fraco desempenho na prova dos 200 metros rasos nas Olimpíadas, disparou: “foi uma merda... foi frustrante, esperava mais de mim. Agora é esperar o revezamento. Tecnicamente não foi nada bom pra mim hoje, não sei o que aconteceu, mas não fiz nada certo” O narrador e o comentarista ignoraram a decepção e o sofrimento da atleta, treina exaustivamente em busca de um bom resultado olímpico que não fora atingido, bem como toda a racionalidade da maior parte da sua fala e partiram pra cima da brasileira.
O ex-corredor e hoje comentarista André Domingos afirmou “que o atleta tem de ser educado e precisa se controlar.” E o narrador Roby Porto emendou pedindo desculpas ao telespectador que “não tinha de ouvir isso”. Ouvir o que Roby? O que se ouve nas novelas e nos programas da própria Globo? O que se ouve quando alguém está efetivamente chateado, o que se ouve quando se extravasa?
Se a brasileira tivesse feito alguma manobra na “malandragem”, talvez não levasse uma lição de moral, já que seria o famoso ‘jeitinho brasileiro’. Se tivesse se ajoelhado e agradecido aos céus por seu fraco desempenho, certamente seria exaltada em nome da nova ‘moral’ brasileira. Se tivesse agradecido aos seus patrocinadores, seu técnico e sua família então... Até se tivesse inventado uma desculpa seria absolvida. Mas, como disse ‘nome feio’... E em um canal que pertence à Globo...
Engraçado é que a Rede Globo não pede desculpas ao telespectador quando manipula notícias nem quando insulta a inteligência do brasileiro com seus programas absurdos nem mesmo quando põe no ar entrevistas e depoimentos baseados em mentiras. Não dá para ser ético pela metade. E, além disso, esse ‘politicamente correto’ é um saco. Aliás, acho que esse texto ficou uma merda...